Carros, pôneis e cães

A indústria automobilística brasileira esperneou, o governo não resistiu e assistimos a mais um espetáculo do avanço da sociedade de consumo. Agora se pode comprar um carro e levar de brinde um celular, um computador ou qualquer outra traquitana móvel! Continue lendo

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Claudio Lachini
Jornalista e Escritor
Colunista de Economia Interativa

Contaminado pelo medo da inflação “desenvolvimentista”, essa que se engendrava na Universidade de Campinas de outrora, decidi colaborar contra a crise da “marolinha” que se agiganta. Somei as viaturas aqui de casa, uma provida de pôneis e outra de japoneses mesmo, desses que antigamente faziam força de cavalos, e fui à luta.

Pensei que poderia colaborar com meu próprio bolso economizando alguns trocados do IPVA e do Seguro. Pasmem, descobri que poderia adquirir uns cachorros coreanos, que suponho serem bichos de estimação dos motores dos automóveis preferidos por nove entre dez madames peruadas.

Os coreanos são ótimos para fabricar essas viaturas que vem amassadas de fábrica e trepam em morros e navegam em pântanos como se de guerra fossem e que permitem às jovens senhoras do Brasil e do mundo ver o universo de cima, com tração nas quatro rodas e a humilhação pertinente a essas figuras de armário do século passado, como eu.

Sem novidades para apresentar, a salvada Chevrolet, da qual possuí quase todos os ótimos modelos derivados da Opel alemã no terceiro quartil do século XX, em não tendo nada de novo para fabricar no Brasil do século XXI, decidiu incorporar um modelo coreano a suas necessidades de inovação. Quem sabe possa fazer a propaganda de potentes galgos embaixo do capô, a ladrar pelas campinas verdejantes aonde os chineses do Faustão pagam o imposto da competição! Desde que não sejam “Hecho em Uruguay”!

Feitas essas divagações e, por que não, reflexões, fui a um revendedor de pôneis e cavalos, daqueles que antes tinham japoneses mais potentes, e ofereci minhas duas viaturas familiares em troca de uma. Os nipônicos, representados por uma jovem senhora que sentaria bem em um amassado de fábrica coreano, avaliou meus pobres automóveis por um preço tão baixo, mas tão baixo que lhe desejei boa sorte e me retirei. E tudo isso com a insistência dela para que eu fizesse o negócio, porque receberia como brinde um telefone celular ou um “lapitopi”!

De qualquer forma, resolvi que carroça brasileira não compro, nem carro maquiado, mesmo que vestido de dourado. A classe média emergente dirige endiabrada, o número de acidentes com mortes aumenta independentemente do álcool e de drogas de todos os matizes. Enquanto isso, de mentira em mentira, parece que vamos parar em Sucupira, com as bênçãos do camarada Dias Gomes de saudosa memória.

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